A instalação de um ar condicionado split parece simples à primeira vista, mas envolve etapas técnicas que, se feitas de forma errada, comprometem o funcionamento, a eficiência e a durabilidade do equipamento. Entender o que deve ser feito ajuda a avaliar se o serviço foi executado corretamente.

O que é necessário antes de instalar

Antes de qualquer coisa, é preciso definir:

Tamanho (BTU) adequado para o ambiente: um aparelho subdimensionado vai trabalhar no limite o tempo todo, consumindo mais energia e desgastando mais rápido. Um aparelho superdimensionado vai ligar e desligar com frequência, sem desumidificar bem o ar. O cálculo leva em conta a metragem, o pé-direito, a quantidade de janelas e a incidência de sol no ambiente.

Posicionamento das unidades: a unidade interna (evaporador) deve ficar em parede onde o ar circula pelo ambiente sem obstáculos. A unidade externa (condensador) precisa de ventilação adequada e acesso para manutenção, preferencialmente em local protegido do sol direto e da chuva.

Circuito elétrico exclusivo: aparelhos de 9.000 a 12.000 BTU geralmente precisam de circuito 220V com disjuntor dedicado. Aparelhos maiores podem exigir fiação de bitola maior. Usar o circuito errado causa quedas de disjuntor e risco de incêndio.

As etapas da instalação

1. Fixação da placa de parede e unidade interna

A unidade interna é fixada em uma placa metálica presa à parede com buchas e parafusos adequados ao tipo de alvenaria. O nível precisa ser verificado para que o condensado drene corretamente.

2. Passagem da tubulação de cobre e dreno

Os tubos de cobre (linha de sucção e líquido) fazem a conexão entre as unidades. Eles precisam ser do diâmetro correto para o modelo, dobrados sem amassados e isolados com espuma de polietileno para evitar condensação e perda de eficiência.

O dreno deve ter inclinação suficiente para escoar a água gerada pelo processo de refrigeração. Dreno mal posicionado causa gotejamento no teto ou na parede.

3. Conexões elétricas

O cabeamento entre as unidades e o circuito da tomada devem seguir as normas NBR 5410. Conexões inadequadas causam falha de comunicação entre as unidades, curtos e risco de queima da placa eletrônica.

4. Vácuo e carga de gás

Após conectar as tubulações, o técnico precisa realizar o processo de vácuo, retirando ar e umidade da linha antes de liberar o gás refrigerante das válvulas do condensador. Esse passo é frequentemente pulado em instalações ruins, o que compromete a eficiência e pode danificar o compressor ao longo do tempo.

5. Testes de funcionamento

Com tudo instalado, o técnico deve testar o aparelho nos modos frio e ventilação, verificar a temperatura do ar na saída, conferir a vedação das conexões de cobre e checar se não há vazamentos no dreno.

Erros comuns em instalações ruins

  • Tubulação de cobre torta ou com amassados, restringindo o fluxo de gás
  • Dreno inclinado para o lado errado ou sem inclinação suficiente
  • Sem isolamento térmico nas tubulações
  • Sem processo de vácuo antes de ligar o gás
  • Circuito elétrico compartilhado com outros equipamentos
  • Unidade externa mal posicionada, sem ventilação adequada

Por que contratar um técnico certificado?

A instalação de ar condicionado envolve manuseio de gás refrigerante (regulamentado pela Lei 8.723/93), serviços elétricos (sujeitos às normas ABNT) e fixações estruturais. Um serviço mal feito pode anular a garantia do fabricante, além de criar riscos à segurança do imóvel.

Peça nota fiscal pelo serviço e confirme que o técnico realizará o processo de vácuo e fará o teste completo antes de encerrar o atendimento.